TRANSIÇÃO PLANETÁRIA: UMA PROPOSTA DE "RAGNAROK ESPÍRITA" PARA A MARVEL
Sou jornalista, cartunista e amo comics, com trabalhos publicados na Folha de S. Paulo e Le Monde.
Mas todos os trabalhos que fiz
foram colorizados digitalmente. Neste ano me desafiei a fazer um caminho
inverso: me desdigitalizar. Então comecei a brincar com materiais analógicos de
desenho. E, pela primeira vez, rascunhei prazerosamente uma história em
quadrinhos de seis páginas, usando uma técnica à mão livre de pincel a seco
"estropiado" e #ecoline.
Para este exercício autoral,
tomei a liberdade de brincar com personagens icônicos do Universo Marvel.
A trama tem início com Dr. Doom
reclamando o alto posto na ONU, enquanto outros peões se movem no tabuleiro dos
bastidores do poder, como Loki, Líder, Mephisto. Os principais super-heróis
estão ocupados com seus próprios problemas, e o Dr. Estranho é a última linha
de defesa na Terra contra essa conspiração malévola. Devido à gravidade da
situação, o Mago Supremo se vê obrigado a recorrer a um velho aliado
alienígena.
Incluí figuras públicas, como o
Bono, vocalista do U2, e fatos da vida real, como a descoberta do Oumumua, na história para dar mais verossimilhança ao
roteiro. Considero o argumento bem oportuno, em um momento em que regimes
totalitários ocupam relevantes assentos na cúpula das nações e se discute
abertamente os riscos potenciais da AI.
Pode parecer mais um roteiro clichê de super-heróis, mas acredito ter inovado a cosmogonia criada por Stan Lee, Jack Kirby e outros talentos que deram vida ao Quarteto Fantástico e outros personagens. Trata-se de uma história sobre nova ordem mundial e a transição planetária, evento hipotético no qual a Terra passaria do estágio de mundo de provas e expiações para um mundo regenerador, dentro de uma perspectiva espiritualista (algo como o Ragnarok nórdico).
Para dar ainda mais diversidade a
este coquetel cultural, acrescentei alguns conceitos criativos extraídos da
literatura espírita brasileira e cultos afrodescendentes. Nesta despretensiosa
releitura desses clássicos da cultura pop, o Motoqueiro Fantasma é um
"Exu", ou seja, guardião no mundo extrafísico, assim como Asgard é
apresentada como uma colônia astral similar ao "Nosso Lar" citado nas
obras do médium Chico Xavier em parceria com um de seus guias espirituais, o
médico Andre Luiz.
Falando sobre a narrativa visual, eu distribuí essa história conceitual em seis páginas tamanho A3. Porém, meu scanner comporta apenas folhas A4. Tive de digitalizar metade de cada folha individualmente e depois juntá-las digitalmente em um Photoshop por meio do Photomerge ou, quando este recurso falhava, combiná-las manualmente. Isso prejudicou o resultado final, mas o processo criativo analógico me agradou bastante - principalmente pelo efeito "psicoterapêutico". Compartilho essa #fanfic para aqueles que, assim como eu, são apaixonados pela mitologia da #Marvel.
E se alguém da editora detentora dos direitos dos personagens por
acaso se deparar com este conteúdo e ver algum potencial comercial nele, estou
à disposição para desenvolver a narrativa no formato de uma graphic novel em
parceria com algum artista indicado pela Marvel ou por meus próprios recursos
artísticos.






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